Salvador Dalí & Philippe Halsman – Making of “In Volupta Mors”

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In Voluptas Mors (português: “A morte voluptuosa” ou, numa tradução mais literal “Prazer na morte”) é um retrato de Salvador Dalí em colaboração com o fotórafo Phillipe Halsman, datado de 1951 (foto acima). A imagem representa Dalí posando junto a uma caveira gigante, um tableau vivant (“quadro vivo”) composto por sete modelos femininos nus. Halsman demorou cerca de três horas a organizar as modelos de acordo com um desenho de Dalí.

Aquilo que inicialmente parece um exemplo de memento mori (“lembra-te de que tens que morrer”), é na verdade uma interação mais complexa entre as noções de sexo e morte. A representação baseia-se na tradição simbólica da vanitas (“vaidade”), um código estilístico utilizado como lembrança da fugacidade da vida, da futilidade do prazer, e a certeza ou inevitabilidade da morte. O que aqui é pouco habitual é a incorporação da voluptuosidade dentro da própria estrutura representativa da vanitas (a caveira). Na mitologia romana, Voluptas é a filha resultante da união entre Cupido e Psyché, e é considerada a deusa dos prazeres sensoriais. A imagem apresenta uma fusão do eros (amor físico) e do thanatos (personificação da morte ou o impulso destrutivo) num só objeto.

(Texto traduzido e adaptado do do site “Cultura Inquieta”: http://culturainquieta.com/es/fotografia/item/2470-in-voluptas-mors.html)

Seguem-se fotos que documentam a preparação dessa certamente animada sessão fotográfica (é certo que as modelos tiveram que sofrer um pouco para se manterem em poses tão pouco ortodoxas, mas vamos acreditar que foram em tudo o mais bem tratadas).

Salvador Dali & Philippe Halsman - Photography

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Salvador Dali IN VOLUPTAS MORS Cultura Inquieta5

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Outra colaboração igualmente famosa de Dalí e Halsman – “Dali Atomicus” (1948):

File:Salvador Dali A (Dali Atomicus) 09633u.jpg

Primavera

Na Primavera florescem os marmeleiros
e as romãzeiras, regadas
pelas águas dos rios,
lá onde fica das Virgens o jardim imaculado,
e os gomos das videiras crescem sob os rebentos
umbrosos dos pântanos; mas a mim o Amor
não me dá estação alguma de descanso:
como o trácio Bóreas, deflagrando
com o trovão, soprando do lado de Cípria,
com loucura devastadora,
tenebroso e sem peias,
sacode de alto a baixo com força
o nosso coração.

(frag. 6 Diehl)

 

Íbico (poeta grego do séc. VI a.C., que por acaso parece que era panilas). Tradução da MHRP (props).