Apresentação do livro “Mil Milhões de Centopeias”

Aconteceu no domingo, dia 23 de outubro (finalmente!), no salão da Secção Cultural da LAAC, em Aguada de Cima, Águeda, a apresentação do livro “Mil Milhões de Centopeias”, nascido das divagações publicadas neste blog. Foram convidados a apresentar a obra a minha irmã, Maria Vítor Santos, o designer David Gama (autor da capa) e o artista multisdisciplinar Bitocas. Tomou ainda a palavra, gentilmente, o Dr. Amorim Figueiredo.

No final o autor (eu!), deu uma sessão de autógrafos e ofereceu aos presentes um beberete com espumante e canapés. Foi um sucesso, como as fotos em seguida comprovam. E se o livro vinha a ser vendido de mão em mão e por via postal há cerca de duas semanas, com esta apresentação formal cumpriu-se um objetivo: tiragem de 100 exemplares esgotada!

Já não temos livros!… Mas pode ser que um outro dia, diferentes, outros hajam…

Habemus livrum

Está disponível para venda o livro que recolhe uma seleção de textos originais publicados neste blog, com alguns acrescentos, emendas, exclusões e repescagens.

Capa: concebida por David Gama (davidgamadesign.com), em cartolina castanha rugosa
Dimensões: 13×20
Papel: munken 90gr
Nº páginas: 80
P.V.P.: 8€ em mão, 9€ por correio

Pagamento: Transferência bancária
Envio: CTT (envelope almofadado)

E como fazemos? Bom, os pedidos podem ser efetuados para pedrolavourasantos@gmail.com, após o que enviarei o IBAN para que seja feita a transferência, e o livro é enviado no prazo máximo de 2 dias.

Introdução do livro “Mil Milhões de Centopeias” (excertos)

Há alguns anos comecei a escrever um blog intitulado Mil Milhões de Centopeias. Na altura pensava que através da multiplicidade de textos poderia compor um retrato relativamente fiel da minha forma de pensar, e esperava que a escrita ajudasse a clarificar e articular algumas ideias que pairavam no meu espírito. Também tinha como objetivos praticar a escrita e tentar habituar-me a ser lido por outras pessoas. Acabei por concluir que o pensamento é dinâmico e talvez indeterminável: se conseguir caraterizar o seu estado num dado momento, já entretanto se transformou noutra coisa. A partir daí a escrita no blog tornou-se mais lúdica, embora pontualmente atravessada por questões existenciais.

O sentido do título tem a ver com as incontáveis coisas, pessoas ou formas de condicionamento social que tendem a obstruir a manifestação da individualidade e o pensamento autêntico. São milhões porque na sua quantidade e força, de pequeninas que são, chegam a ocultar a existência de outros seres e formas de existir, e são centopeias porque provocam, pelo menos a mim, uma reação de repulsa. Por outro lado é apenas uma frase sem sentido cuja sonoridade que me agrada. Este livro é uma seleção dos melhores textos que aí foram publicados entre 2011 e 2015, com alguns remendos, emendas e acrescentos. Consiste em pensamentos, sátiras e fantasias que fui tendo ao longo deste tempo, misturando textos que foram escritos a pensar num eventual público com outros mais introspetivos.

A decisão de publicar esta miscelânea em livro veio de querer encerrar uma fase, reunindo textos que já se vão tornando antigos, e dar alguma ordem àquilo que considero ser um apanhado da minha juventude tardia. Reunir textos já escritos pareceu-me uma maneira simples de terminar um livro e dá-lo a conhecer a um conjunto de amigos. No entanto, (…) O que inicialmente era para ser um objeto artesanal produzido no espírito do it yourself, por efeito da pressão de algumas pessoas acabou por tornar-se num objeto-livro mais formal, com direito a impressão profissional, ISBN e uma capa gentilmente composta por um designer amigo. Todo esse profissionalismo acabou por tornar mais trabalhoso o processo de terminar este empreendimento, mas, com alguma teimosia, aqui está.

Publicar este livro tem menos a ver com achar que o seu conteúdo tem uma qualidade que o justifique, e mais com tentar forçar-me a deixar de ser um daqueles gajos que escreve umas coisas que não mostra a ninguém. Sem falsa modéstia, considero-me igual a tantos outros que gostam de escrever mas não acham, ou duvidam, que o que fazem seja suficientemente bom para ser publicado. Embora ache que fora do meu círculo de meus amigos e conhecidos o interesse destes escritos seja reduzido, decidi-me a combater as minhas inseguranças e aceder ao desejo que ocasionalmente sinto de incomodar os outros com as minhas observações. Faço-o também como um passo que me é necessário para possivelmente no futuro me arriscar num projeto mais ambicioso.

(…)

Isto contém, portanto, desde parvoíces escritas nos meus tempos de estudante de filosofia até textos mais recentes. Bons ou maus como sejam, com as suas qualidades e defeitos, são o que me apeteceu escrever, ou desse conjunto de coisas as que me pareceram mais aptas a mostrar a outras pessoas. O mundo já está cheio de letras, textos e escritores. Está sobretudo cheio de gente pretensa de ter razão, e que chateia os outros com as suas opiniões. Este livro também é curto porque sempre procurei evitar escrever palha. Procurei a sucintez, por vezes tendo sido reencaminhado ao silêncio. Olho para estas páginas e acho-as poucas e pouco significantes. Mas para mim têm o valor de me lembrarem de todas as coisas que gostava de descrever e não consigo, todas as coisas que gostava de escrever e ainda não o fiz, os escritos abandonados, inacabados, incompletos ou disformes… No fundo, todas as minhas ideias, o meu ser e o que acho importante, e o que podia ter feito de melhor.

O que é que isto interessa aos outros é algo que não sei, mas espero que o feedback que venha a receber desta iniciativa sirva como um incentivo ou um corretivo. Apelo, portanto, ao patrocínio deste jovem semiletrado (ou serei já um semijovem letrado?), sob a forma de donativos em troca deste opúsculo, que calculo ter o valor aproximado de um hambúrguer acompanhado por uma cerveja e um cafezinho. Também estou disponível para conversar e beber qualquer coisa.

21 de agosto de 2016.

98% complete… /Alguns excertos para consumo imediato

Livro 98% pronto.

Demorou bastante mais tempo do que o previsto essencialmente por excesso de outros afazeres, mas agora espera-se a qualquer momento o surgir do fumo branco.

Irá conter os melhores textos originais publicadas neste blog e alguns inéditos. Assim sendo, ficam de seguida alguns excertos dos textos ainda não publicados como aperitivo. Até já.

 

“O impulso criativo faz parte da essência do homem. Não se sabe bem o que é a essência do homem, mas para Aristóteles (a minha pesquisa ainda está em curso) deveria ser algo que lhe fosse próprio, isto é, uma caraterística que não partilhasse com outros animais. Seria portanto um certo modo de atividade da alma racional, e até aqui não há contradição com o Filósofo. Ouvi dizer também que para Espinosa a essência do homem é o desejo, mas nunca encontrei a citação. Também não me parece incompatível, pois o desejo parte de uma carência, e portanto aspira à criação do que ainda não existe ou à conquista do não se tem. Já Gilberto Gil em jovem fez uma canção onde diz “a morte é o nosso impulso primitivo”. Ora, se a morte é a finalidade última da vida, aquilo para que todos os seres naturalmente tendem, é certamente mais poético ir ao seu encontro praticando uma forma de autodestruição criativa. É isso a vida, não? Mas divago.”

(Por uma arte inferior)

 

“Tempo é dinheiro, logo dinheiro é tempo. E se assim é, é um contrassenso perder tempo para ganhar dinheiro. Nenhum dinheiro substitui o tempo perdido a trabalhar, a não ser que o trabalho tenha por finalidade a produção de tempo livre. Há quem pense que se trabalha para ganhar dinheiro, mas isso é ver a questão de uma perspetiva algo redutora e muito antiquada.  (…)

Proponho então que se experimente pensar ao contrário: dinheiro é tempo. A finalidade do trabalho não é a produção de dinheiro, mas de tempo. Se não resultar, mais cedo ou mais tarde, na produção de tempo livre, o trabalho perde o sentido, e a vida toma um de dois caminhos: ou se trabalha para sobreviver e se vive para trabalhar, ou se existe ao modo dessa espécie particularmente degenerada que é o homo consumericus.”

(Tempo e dinheiro)

 

“E para falar de tudo e de nada de uma só vez, faltaria pensar no sono como a interrupção rítmica, quase ritual, da produção de sentido. Fará sentido fazer sentido das coisas para depois as esquecer e transfigurar no sonho, acordando no dia seguinte com novas questões? O facto de a vida ser um bocado absurda é algo sobre o qual vale a pena refletir, ou uma possibilidade irrisória que é mais sensato ignorar? Não sei, nem vou pensar mais nisso durante uns tempos. Chega de meditações metafísicas por uns tempos. Vou mas é dormir.”

(Alguns pensamentos sobre a evolução do espírito)

Novidades

Que este blog está morto já se sabe, mas ainda falta o velório. E já agora, que se faça a coisa com alguma pompa. É oficial: as mil milhões de centopeias vão sair em livro. Será, certamente, uma espécie mal amanhada de livro – impresso na papelaria da esquina, cosido à máquina de costura, colado à mão – mas será um livro. E isso permitir-me-à responder airosamente “já está, são cinco euros” quando alguém me disser que devia escrever um livro.

Tecnicamente, é o segundo. Já tinha escrito e publicado o manual de formação “UFCD 6687 – Dinâmica de grupos, relações interpessoais, socialização e contextos”, de que aliás está para sair a 2ª edição. Mas, seja como for, a verdade é que acho que ainda posso escrever muitos mais, e o que me agrada ao reunir alguns textos publicados neste blog num volume impresso é reduzir a pressão que possa haver relativamente a outras coisas que venha a escrever.

Então a coisa será mais ou menos nestes moldes: produção artesanal, como já disse. Acho que devo conseguir vender por cerca de 5 euros. O livro irá conter as melhores crónicas publicadas neste blog, incluindo algumas que foram entretanto apagadas, e algumas inéditas. Não irá conter textos em forma poética, porque a haver alguma unidade ela está nas crónicas curtas, e obviamente excluirá também textos que não são da minha autoria. Ainda por decidir está se incluirei um conjunto de aforismos no final – o que irá acontecer se o número de páginas acabar por ser curto e a coisa parecer muito levezinha.

Irá ser vendido à mão, nas esplanadas dos cafés, ou por encomenda a partir de facebook ou deste blog. A tiragem inicial será de 10 exemplares. Tempo previsto para o nascimento dos primeiros exemplares: é bastante incerto, mas, provavelmente, 2 ou 3 semanas. Vou então por mãos à obra!