98% complete… /Alguns excertos para consumo imediato

Livro 98% pronto.

Demorou bastante mais tempo do que o previsto essencialmente por excesso de outros afazeres, mas agora espera-se a qualquer momento o surgir do fumo branco.

Irá conter os melhores textos originais publicadas neste blog e alguns inéditos. Assim sendo, ficam de seguida alguns excertos dos textos ainda não publicados como aperitivo. Até já.

 

“O impulso criativo faz parte da essência do homem. Não se sabe bem o que é a essência do homem, mas para Aristóteles (a minha pesquisa ainda está em curso) deveria ser algo que lhe fosse próprio, isto é, uma caraterística que não partilhasse com outros animais. Seria portanto um certo modo de atividade da alma racional, e até aqui não há contradição com o Filósofo. Ouvi dizer também que para Espinosa a essência do homem é o desejo, mas nunca encontrei a citação. Também não me parece incompatível, pois o desejo parte de uma carência, e portanto aspira à criação do que ainda não existe ou à conquista do não se tem. Já Gilberto Gil em jovem fez uma canção onde diz “a morte é o nosso impulso primitivo”. Ora, se a morte é a finalidade última da vida, aquilo para que todos os seres naturalmente tendem, é certamente mais poético ir ao seu encontro praticando uma forma de autodestruição criativa. É isso a vida, não? Mas divago.”

(Por uma arte inferior)

 

“Tempo é dinheiro, logo dinheiro é tempo. E se assim é, é um contrassenso perder tempo para ganhar dinheiro. Nenhum dinheiro substitui o tempo perdido a trabalhar, a não ser que o trabalho tenha por finalidade a produção de tempo livre. Há quem pense que se trabalha para ganhar dinheiro, mas isso é ver a questão de uma perspetiva algo redutora e muito antiquada.  (…)

Proponho então que se experimente pensar ao contrário: dinheiro é tempo. A finalidade do trabalho não é a produção de dinheiro, mas de tempo. Se não resultar, mais cedo ou mais tarde, na produção de tempo livre, o trabalho perde o sentido, e a vida toma um de dois caminhos: ou se trabalha para sobreviver e se vive para trabalhar, ou se existe ao modo dessa espécie particularmente degenerada que é o homo consumericus.”

(Tempo e dinheiro)

 

“E para falar de tudo e de nada de uma só vez, faltaria pensar no sono como a interrupção rítmica, quase ritual, da produção de sentido. Fará sentido fazer sentido das coisas para depois as esquecer e transfigurar no sonho, acordando no dia seguinte com novas questões? O facto de a vida ser um bocado absurda é algo sobre o qual vale a pena refletir, ou uma possibilidade irrisória que é mais sensato ignorar? Não sei, nem vou pensar mais nisso durante uns tempos. Chega de meditações metafísicas por uns tempos. Vou mas é dormir.”

(Alguns pensamentos sobre a evolução do espírito)

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