Um devaneio num copo de vinho

O meu ideal de funcionamento cerebral (a.k.a. pensamento): uma rotação constante, um prodígio de memória aleatória. Substantivos, verbos e adjetivos unindo-se em combinações inéditas, espontâneas, a cada instante. A cada pensamento, frase ou processo mental, o real revela uma nova faceta ou modifica-se.

As mentes deixariam assim de seguir trilhos de terra batida cheios de calhaus-comuns, a comunicação – a existir – deixaria de basear-se em ajuntar água na massa, sendo antes algo mais como o fluir da luz pelo dia e pela noite, pelas superfícies refletoras, pelas erupções dos vulcões. Um mundo-inteligência-energia, mentes-circuitos de ativação/desativação e sintonização entre real, sonho, êxtase e delírio. Tudo isto enquanto, tranquilamente, tomássemos uma bica e discutíssemos a bola.

E é o que já acontece, nalguns momentos bem aventurados, na tasca do sr. Joaquim, quando o encontro de bom humor. Seja pelas complicações conjugais ou pela qualidade duvidosa do seu extrato de uva, o sr. Joaquim, nas suas palavras e nos seus olhos, por detrás das lunettes, fala ocasionalmente a linguagem dos astros e dos germes em ação sob a epiderme da terra.

Por um mero acaso, enquanto o sopro não decai e o espírito se embrutece com sandes de chouriço.

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