Hegel sonhava…

Hegel sonhava, a sua arrogância sublimada, e a dialética era jogo, entre crença e ceticismo, o espírito absoluto divagava, entre ser e não ser, mudava de cor com a paisagem sonhada, e a temperatura do sangue era oscilante.

Os quadros dependuravam-se da parede e cumprimentavam-no, o velho duque de Würtemburgo assustava-o com as suas barbas pretensiosas, os cães de uma cena de caça aninhavam-se a seus pés, pedindo uma carícia ou um osso, e o eu que fora Hegel rejubilava de omnipotência diminuída e modesta. Ao acordar, porém, descia sobre Hegel a sisudez nas faces, e o sentido da missão grandiosa, e sobre a ideia da consideração dos homens se erguia o seu vulto, cheio de orgulho e motivação para dominar o real e engarrafá-lo.

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