Perspetivas

– Era um indivíduo que se gabava de ter uma visão única sobre as coisas.

– Mas isso é vulgar, todos temos uma visão única sobre as coisas. Mais extraordinário seria se tivesse uma visão que englobasse todas as outras, ou que delas estivesse equidistante, enfim, o que os cientistas chamam de olhar objetivo.

– Ele próprio acabou por colocar a si mesmo essa objeção, no decurso da sua evolução intelectual. Foi-se apercebendo aos poucos que a sua visão, mais ou menos iluminada, era sobretudo insular.

-E continuou a gabar-se?

– Não. Procurou a intersubjetividade de ilha em ilha, tornando-se navegador. Mas faltava-lhe talento para o mister. Suponho que esteja agora encalhado nalgum atol.

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