Descoberta de manuscrito de Pseudo-Wittgenstein

Foi descoberto recentemente um manuscrito que chegou a pensar-se que fosse um original inédito de Ludwig Wittgenstein. O documento em causa apresenta uma estrutura similar à do célebre Tractatus Logico-Philosophicus, porém, defendendo teses diametralmente opostas. Tal poderia parecer indicar que se trataria de um genuíno Wittgenstein (especulou-se em falar no “Wittgenstein antepenúltimo”), porém, a análise morfo-sintática, e sobretudo o facto de o documento estar escrito em português, língua de Ludwig não dominava, afastaram as dúvidas sobre a apocrificidade do mesmo.

Permanece no entanto o interesse da comunidade lógico-filosófico-científica no Pseudo-Wittgenstein, continuando as escavações no local onde se encontrou a folha manuscrita e incompleta cujo conteúdo a seguir se transcreve, na esperança de encontrar a continuação de tão singular tratado.

TRACTATUS LOGICO-MYSANTHROPICUS

1. O mundo é tudo o que anda por aí.

1.1 O mundo é o conjunto das coisas, e não dos factos.

1.1.1 O conjunto dos factos é reduzido e obscurecido pelo amontoado de coisas.

1.1.2 As coisas amontoadas, sobretudo as inúteis, são o mundo.

1.2 A totalidade das coisas determina, pois, o que anda por aí e o que não anda.

1.2.1 Uma coisa pode andar por aí e não andar e tudo o resto permanecer idêntico.

2. O mundo decompõe-se continuamente.

2.1 O que existe de facto são coisas em decomposição no mundo.

2.1.1 O estado de coisas é uma relação entre a composição e a decomposição.

2.1.2 Em lógica nada é acidental: se uma coisa útil é obscurecida pelo amontoado das coisas inúteis, é porque a não decomposição das coisas úteis é impossível.

2.1.2.1 Pareceria igualmente um acidente se uma coisa inútil fosse obscurecida por algo útil. Mas, se uma coisa pode existir num amontoado, então a possibilidade de constituir um monte de coisas inúteis tem que residir nela.

(O que é lógico não é meramente o possível. O que existe existe, não sendo portanto possível, e no entanto é lógico. Assim como podemos pensar em coisas que não existem e que podem vir a existir, não podemos pensar nalguma coisa que possa vir a existir se ela já existe, e assim uma coisa é possível desde que não exista, Q.E.D.)

3 thoughts on “Descoberta de manuscrito de Pseudo-Wittgenstein

  1. 2 – É com prazer que leio as suas proposições mais actuais,
    3.1 – Sandra
    1 – Caro Sr. Vite…
    2.2 – Deleita-me que nos presenteie com um discurso lógico, organizado a priori e não a posteriori.
    3 – Da sua maior fã!…
    2.1 – Estranho que tenha conseguido organizar o seu pensamento de modo tão linear.
    2.3 – Sinto grandes evoluções em si, um seu sósia tuga, e estimo que tudo lhe corra de feição.

    não, estou em discurso de quem brinca! Tu és o pseudo-vite, é isso?

  2. ora muitas graças, sandra!
    eu o pseudo-vite? que ideia!
    possivelmente estou em processo de ficcionalização do eu. pode dar resultados, ou nem por isso, mas mal não faz.(^⊆^)

  3. Apoio a continuação das escavações, mesmo que de um pseudo-Wittgenstein, parecem-me interessantes…o pseudo-Dionísio também é pseudo e nem por isso é menos “true”… Talvez até se encontrem livros doutras cores, mais garridas e coiso…

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s