Algumas do Da Vinci

Leonardo Da Vinci não era um espírito muito dado a reflexões abstractas e filosóficas; essencialmente um empirista e um engenhocas, explica as virtudes e os vícios da humanidade com recurso a fábulas que, claro está, envolvem animais. O cordeiro e a humildade, o falcão e o orgulho, o unicórnio e a intemperança, etc. De qualquer forma aqui ficam alguns aforismos ou coisa parecida, envolvendo nenhuns ou poucos animais, dos cadernos de apontamentos do Sr. Renascença (edição da sra. H. Anna Suh). Ah, e se nunca conseguiu entender patavina do que está escrito por cima e por baixo do homem vitruviano (aquele que espalha quatro braços e quatro pernas por um círculo em cima de um quadrado), saiba que o homem escrevia de trás para a frente, não porque tivesse a mania ou fosse muçulmano, mas porque, como era canhoto e para além disso um génio, queria evitar borrar a folha de tinta à medida que deslocava a mão por ela ao escrever.

“A aquisição de conhecimento, seja ele qual for, é sempre útil ao intelecto, porque lhe permite eliminar as coisas inúteis e reter aquelas que são boas. Pois nada pode ser amado ou odiado, se não for primeiramente conhecido.”

“A mais exasperante infelicidade dá-se quando as ideias de um homem são mais avançadas do que o seu trabalho.”

“Um homem que desejava provar, com base na autoridade de Pitágoras, que já tinha estado neste mundo, e não lhe permitindo o outro concluir o argumento, disse o 1º homem ao 2º: “E se queres uma prova de que eu já cá estive, lembro-me de que tu eras moleiro.” O outro, sentindo-se provocado por aquelas palavras, concordou com ele: era verdade, ele também se lembrava de que, nessa altura, o 1º era o burro que lhe transportava os sacos de farinha.”

“Perguntaram a um pintor porque tinha feito os filhos tão feios, quando as figuras que pintava, que eram coisas mortas, as fazia tão belas. Ele respondeu que fazia as figuras durante o dia e os filhos durante a noite.”

“O sapo evita a luz do Sol; se contudo, nela for mantido à força, incha de tal maneira, que consegue esconder a cabeça por baixo, privando-se dos seus raios. Assim age o inimigo da clara e radiante virtude, que não é capaz de se manter na sua presença senão à força, com coragem apenas inchada.”

“Sei que muitos chamarão a isto trabalho inútil; serão aqueles acerca dos quais Demétrio declarava não prestar mais atenção ao vento que lhes saía da boca em palavras, do que àquilo que expeliam das partes baixas. Homens que nada desejam senão riquezas materiais, e que são absolutamente desprovidos daquela sabedoria que é o alimento e a única verdadeira riqueza do espírito. (…) E muitas vezes, quando vejo um desses homens pegar neste trabalho, interrogo-me porque não o levará ao nariz, como um macaco, ou me perguntará se é bom para comer”.

e para finalizar a minha preferida:

“Alguns há de não passam de corredores para a comida, e de produtores de excrementos e recheios de latrinas, já que por eles não passa mais nenhuma coisa deste mundo, nem são produzidos quaisquer efeitos de qualidade, uma vez que deles resultam apenas as latrinas cheias.”

Toma e embrulha.

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